O miolo de pão
Observava as mãos dela. Soltava com cuidado a xícara no pires e enrolava o miolo do pão. Todos os dias o mesmo movimento. Lembro do início, eu me continha para não pedir para que parasse. Em alguns dias, mais irritado, dizia: “Por favor, pare de fazer estas bolinhas! Lembra minha mãe.”. Ela me olhava enviesado e parava. No dia seguinte, recomeçava. Às vezes, compro pão de forma, digo que não encontrei pão fresco no caminho. Minto. Sei que não terei que assisti-la transformando migalhas em bolinhas.
Hoje não ouvi os passos no corredor. Eu acordava sempre antes, fazia o café. Na cozinha eu aguardava os ruídos dela: a água da torneira da pia, os passos lentos se aproximando.
Há silêncio hoje. Ouço minha mordida no pão, o gole do café. Ela não virá mais. Começo a enrolar o miolo do pão e choro.
quinta-feira, 30 de junho de 2011
segunda-feira, 27 de junho de 2011
Antes das seis da tarde II
Antes das seis da tarde II
Brincava com a irmã de pique-pega, ela dois anos mais velha deixava que ele a agarrasse e a jogasse no chão.
Um dia, ao tocá-la sentiu que o pau ficou duro, assustou-se, empurrou-a para longe.
Dias depois, voltaram a brincar. Ele a jogava no tapete, esfregava-se e gozava rápido. A irmã fingia não ver o ofegar e o rubor das faces.
Demorou para casar, a mulher logo pediu o divórcio- não suportava o corpo insatisfeito. Veio outra mulher e a traição.
Um dia, chegou mais cedo do escritório, tirou o terno, a gravata, deitou nu na cama, lembrou da infância, dos jogos com a irmã.
Antes que a mulher chegasse- lá pelas seis da tarde- vestiu-se, ligou a TV e deitou no sofá fingindo ler o jornal.
Brincava com a irmã de pique-pega, ela dois anos mais velha deixava que ele a agarrasse e a jogasse no chão.
Um dia, ao tocá-la sentiu que o pau ficou duro, assustou-se, empurrou-a para longe.
Dias depois, voltaram a brincar. Ele a jogava no tapete, esfregava-se e gozava rápido. A irmã fingia não ver o ofegar e o rubor das faces.
Demorou para casar, a mulher logo pediu o divórcio- não suportava o corpo insatisfeito. Veio outra mulher e a traição.
Um dia, chegou mais cedo do escritório, tirou o terno, a gravata, deitou nu na cama, lembrou da infância, dos jogos com a irmã.
Antes que a mulher chegasse- lá pelas seis da tarde- vestiu-se, ligou a TV e deitou no sofá fingindo ler o jornal.
domingo, 26 de junho de 2011
Suíte I
Suíte número um
Ficou encantada ao se ver no espelho com o vestido da patroa.
Dançou pela suite.
Com a tesoura fez pequenos cortes nas roupas penduradas.
Ao bater a porta, sabia que não haveria retorno.
Ficou encantada ao se ver no espelho com o vestido da patroa.
Dançou pela suite.
Com a tesoura fez pequenos cortes nas roupas penduradas.
Ao bater a porta, sabia que não haveria retorno.
sexta-feira, 24 de junho de 2011
A jardineira de gerânios/revisto por mim
A jardineira de gerânios
Eram amantes. Todo fim de tarde ele vinha, trazia um chocolate, uma flor, algo de que ela gostasse. Amavam-se até a hora marcada, já estavam acostumados às despedidas, tudo fluía com serenidade.
A mulher, cansada com seu descaso, pediu o divórcio. Ele refutou. Ela não cedeu.
Assustado, sentiu-se inseguro: aquela foi a mulher com quem casou há trinta anos, foi a primeira paixão.
A amante o esperava, estranhava as desculpas. Quando vinha, ficava calado, sentado como visita. Passou a ter um olhar inquisitivo que ela desconhecia.
Ele pensava no quanto ela envelhecera nestes dezessete anos, estranhava suas palavras simples, seus gestos espontâneos.
Ela, adivinhando o abandono, começou a se fechar. Arranjou uma licença médica.
Um dia, tirou a jardineira da varanda e trancou as janelas: as flores estavam murchas.
quinta-feira, 23 de junho de 2011
Quarto de Hotel I, II, III
Quarto de Hotel I
Sentados de frente um para o outro, ela sorria. Ele não sabia o que fazer.
Colocou um dos pés no meio das pernas dele. "Assanhadinha, você” e veio com sede ao pote.
Não beijou sua boca, aflito, torceu e manou nos seios, chupou com força seu sexo, penetrou desajeitado.
Como previa, não haverá outra vez. Ele ainda não sabe.
Quarto de hotel II
"Vire- se"- ele disse.
Fingiu não ouvir, ele repetiu:
"Vire-se. Quero que se vire".
De quatro, doía o toque profundo. Pediu para parar. Não parou. Cavalgou até gozar.
Ela soube, ali, que não haveria um segundo encontro.
Quarto de hotel III
Na água quente, tentando relaxar, ele falava sem pausa.
Tocava sua perna como quem toca a borda da banheira.
Ela olhava distanciada, sonhando com nuvens azuis.
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