segunda-feira, 13 de junho de 2011
Mini conto- arquivo: O relicário
O relicário
Ela deitou na tábua curtida onde o sol se esgueirava naquela manhã, ia deslizando no assoalho ainda frio.
Resta uma nesga de sol, quase uma linha que desenha um eixo,
corta ao meio seu corpo magro. Imagina que ele está sobre ela, inteiro.Tira a camisola. Fica nua.
Lembra da primeira vez que se deitaram.
Ela acabara de virar mulher, ele quase menino. Caminhavam na trilha até o açude. Tropeçou. Ele veio ajudá-la. E ali mesmo fizeram amor. Meses depois não era possível esconder mais a barriga. Casaram.
Antonio trouxe o relicário. A mãe, devota, escolheu o nome durante o difícil
parto.
Quando a jogava na cama, viril, cheio de desejo, antes cobria o Santo:
“Não quero que ele veja nossa sem- vergonhice".
Cansado da fome, vai em busca de trabalho:"Homem que é homem, traz o
sustento pra dentro de casa, Maria".
Parece que foi ontem que se despediu do marido encostada na porta, a barriga
grande, o olhar perdido no horizonte.
- "Pede pra nosso filho vingar, Maria", é cantilena no ouvido dela. O filho
não vingou, mas Antonio não sabe.
Certo dia um homem bate na porta:
- Você é Maria?
- Sou.
- Mulher de Antonio?
- É...
- Ele me falava de você. Pediu que viesse até aqui.
Ela adivinha o que ele tem para dizer. Lágrimas brotam dos seus olhos.
- Pediu para te dizer que arranjou o trabalho e que lá de cima vai cuidar de você e de seu filho.
- Como foi?
- Numa desavença, levou uma facada certeira, só teve tempo de dizer estas últimas palavras.
Ela fica em silêncio, engole o choro e diz:
- Se quiser, entre, lhe dou um copo d'água.
- Obrigado. Meu nome também é Antonio, Antonio da Silva, ao seu dispor.
Este conto está neste livro.
*Clique na imagem e leia- há uma frase lá.
domingo, 12 de junho de 2011
Preciso aprender a ser só- miniconto/semrevisão
Preciso aprender a ser só
Percebo quando ele desliza no lençol. Sai de fininho, quando está sem tempo para ficar na cama comigo. Faz muito frio, finjo dormir.
Minutos depois o cheiro de café inunda o quarto. Preguiçosamente, levanto, sei que hoje ele voltará depois das nove da noite- tempo demais. Sairei apenas à tarde para atender alguns clientes, sempre tenho mais tempo disponível. Ele diz: “O que fará hoje com seu tempo, minha querida?”.
Não sinto crítica, mais cuidado. Ele diz também, nos dias ensolarados: “Já olhou a janela? Vá dar uma volta, andar na areia.”. Nunca vou. Não gosto mais de sair só. Fui uma mulher solitária até os quarenta anos, depois que nos conhecemos, tudo que faço desejo dividir com ele.
Levanto e ele não está na cozinha. Sento na cadeira e choro. Em alguns dias, esqueço que ele não está mais presente- apenas em mim, claro. Preciso aprender a sair só.
segunda-feira, 6 de junho de 2011
Manhã de domingo- miniconto
Manhã de domingo
Despertou com a mão dele em sua coxa, abria caminho entre suas pernas. Fingiu dormir. Ele continuou. Gemeu. Ele, então, colocou um dos braços sob o corpo dela e a enlaçou trazendo-a para mais perto. Abraçou-a com força.
Sentiu o cheiro de sono dele, o calor de sua nuca, sentiu conforto.
A luz que vinha da porta a incomodava, moveu o corpo para que ele mudasse de posição. Ele colocou o corpo sobre o dela, apoiava-se nos braços e a beijava no pescoço. Abriu os olhos, trouxe com as mãos o seu rosto, olhou cada traço, desenhou-o na memória. Este, que ela descobria, era pouco diferente daquele que ela sonhara.
Beijou os olhos que a olhavam ternos.
Pediu para que soltasse o corpo, deixasse o peso todo sobre ela. Queria sentir que ele era real. Queria inscrever aquele corpo no dela.
Despertou com a mão dele em sua coxa, abria caminho entre suas pernas. Fingiu dormir. Ele continuou. Gemeu. Ele, então, colocou um dos braços sob o corpo dela e a enlaçou trazendo-a para mais perto. Abraçou-a com força.
Sentiu o cheiro de sono dele, o calor de sua nuca, sentiu conforto.
A luz que vinha da porta a incomodava, moveu o corpo para que ele mudasse de posição. Ele colocou o corpo sobre o dela, apoiava-se nos braços e a beijava no pescoço. Abriu os olhos, trouxe com as mãos o seu rosto, olhou cada traço, desenhou-o na memória. Este, que ela descobria, era pouco diferente daquele que ela sonhara.
Beijou os olhos que a olhavam ternos.
Pediu para que soltasse o corpo, deixasse o peso todo sobre ela. Queria sentir que ele era real. Queria inscrever aquele corpo no dela.
domingo, 5 de junho de 2011
O jantar
O jantar
Dormia quando ele chegou de madrugada. Da porta, disse: Anda, tenho fome. Sonada, levantou. Encheu a panela com água, colocou no fogão e voltou a cochilar enquanto fervia.
Ele a viu de bruços na mesa, pegou a lata de óleo e a despejou sobre sua cabeça.
- Sua vaca, levante!
Ela obedeceu em silêncio. Chorando baixinho entrou no chuveiro quente. Lembrou da mãe. Chorou, mais ainda. Levou tempo para tirar o óleo, o ódio e o medo.
Quando saiu, ele já havia comido. Estava à sua espera, pronto.
Acordou às quatro, ele ressonava de boca aberta. “Desgraçado”.
Antes das cinco estava pronta. Mochila segurando a porta da rua entreaberta. Faca na mão.
Ela saiu de óculos escuros- amanhecia.
Dormia quando ele chegou de madrugada. Da porta, disse: Anda, tenho fome. Sonada, levantou. Encheu a panela com água, colocou no fogão e voltou a cochilar enquanto fervia.
Ele a viu de bruços na mesa, pegou a lata de óleo e a despejou sobre sua cabeça.
- Sua vaca, levante!
Ela obedeceu em silêncio. Chorando baixinho entrou no chuveiro quente. Lembrou da mãe. Chorou, mais ainda. Levou tempo para tirar o óleo, o ódio e o medo.
Quando saiu, ele já havia comido. Estava à sua espera, pronto.
Acordou às quatro, ele ressonava de boca aberta. “Desgraçado”.
Antes das cinco estava pronta. Mochila segurando a porta da rua entreaberta. Faca na mão.
Ela saiu de óculos escuros- amanhecia.
sábado, 4 de junho de 2011
No bar
No bar
A mão dela deslizou pela minha perna, senti um calafrio na espinha.
Deixei que subisse até a virilha, desejava que me tocasse, me apertasse naquela mão pequena.
Meu sexo parecia estourar a calça. Então, lentamente, ela abriu o fecho e colocou meu pênis para fora apertando-o contra meu corpo.
Um calor me inundou, precisava fazer algo. Finalmente consegui sussurrar: "Por favor, vamos sair daqui”.
Ela me ignorou, fingia não ouvir ou não ouvia tal a concentração.
De repente, levantou-se, deu um tchau geral e saiu sem olhar para mim.
A mão dela deslizou pela minha perna, senti um calafrio na espinha.
Deixei que subisse até a virilha, desejava que me tocasse, me apertasse naquela mão pequena.
Meu sexo parecia estourar a calça. Então, lentamente, ela abriu o fecho e colocou meu pênis para fora apertando-o contra meu corpo.
Um calor me inundou, precisava fazer algo. Finalmente consegui sussurrar: "Por favor, vamos sair daqui”.
Ela me ignorou, fingia não ouvir ou não ouvia tal a concentração.
De repente, levantou-se, deu um tchau geral e saiu sem olhar para mim.
Assinar:
Postagens (Atom)