terça-feira, 23 de junho de 2015

Miniconto- As loucas de amor




Olha-se no espelho. O corpo magro deixa expostas as costelas. Passa a mão no peito antes delineado. A pele do rosto sem cor, o nariz maior. Há manchas espalhadas, "manchas senis".
Ele ri, vê os dentes amarelados e mal cuidados. Ri mais ainda. Tantas possibilidades, tantas mulheres o desejaram. Ele nada. Travado. Esperava mais. Ria, ria do amor delas. Todas loucas. Loucas de amor.
Ele se escondia, se fazia de morto diante do fogo feminino. Elas enlouqueciam. Desesperadas se jogavam implorando afeto. Uma delas jogou-se, literalmente. Olhou o corpo na calçada, a mancha de sangue e pensou: “Ela poderia ter feito isto de sua casa, a infeliz me complicou. A louca, se jogou nua, nem a roupa vestiu.”
Ele lembra bem, ela levantou da cama e disse: "Não aguento mais, vou me matar". Ele disse: "Duvido...", rindo. Ela abriu a janela e voou.
Ele não tem coragem para alçar voo. Terá que esperar a morte, assim, definhando.

3 comentários:

Eduardo P.L disse...

Parabéns e sucesso para o NOVO blog!

Eloá Vinhal disse...

Nossa gostei muito do seu texto, o modo intenso que se expressa, também escrevo e espero sua visita no meu blog. ;)
http://eloavinhal.blogspot.com.br

Laura_Diz disse...

Obgda, Eloá.
Um abraço, volte sempre.
Vou ver seu espaço.