O encontro desmarcado
Quando ouviu a voz dele, quase inaudível, dizendo: “Acho que não irei hoje, pode ser?”. Respondeu: “Claro! Como quiser.”.
Perdeu o prumo, parou na esquina combinada. Sentia o sangue ferver. Viu o supermercado à frente, atravessou a rua sem prestar atenção. Comprou uma revista e foi para a lanchonete. Ali, comprou salgadinhos e refrigerante- jamais faria isso com ele, que diria: ”Tome um suco, minha querida, isso ai é veneno”.
A raiva passou.
terça-feira, 26 de junho de 2012
terça-feira, 6 de março de 2012
Mangueiral- miniconto
Parou a chuva. Olho a janela. Dois meninos arrastam algo branco. Sob as mangueiras um adulto descansa na mata rente.
Entre os troncos, patas. Espero moverem-se. É um cavalo. Alguns bois pastam. Um boiadeiro surge berrando.
O homem, que antes recostava, desapareceu. Uma fumaça surge. Os meninos seguem em direção ao rio arrastando pranchas brancas.
O dia está abafado e estou tão distante do córrego...
O dia está abafado e estou tão distante do córrego...
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
A flor- Miniconto
A flor
O sol
a pino aquecia o pátio onde eles se protegiam na estreita sombra. Amontoavam-se
recostados na parede encardida. Alguns jogados no chão, alheios. Talvez não
sentissem o queimar.
Os homens, com canecas nas mãos, batiam ruidosos no portão de ferro, que se abriria em alguns minutos. Era hora do almoço.
A alegria do primeiro emprego desapareceu ao cruzar a porta para os alojamentos, que recendiam à urina.
Uma mulher lhe sorria sentada perto da entrada. Vigiava a passagem. Esperaria alguém? Boca desdentada, faces rubras, boca carmim borrada. Uma flor murcha caía de sua orelha esquerda. Retribuiu o sorriso.
No carro, de volta, chorou. Não sabe se por eles ou por ela.
Os homens, com canecas nas mãos, batiam ruidosos no portão de ferro, que se abriria em alguns minutos. Era hora do almoço.
A alegria do primeiro emprego desapareceu ao cruzar a porta para os alojamentos, que recendiam à urina.
Uma mulher lhe sorria sentada perto da entrada. Vigiava a passagem. Esperaria alguém? Boca desdentada, faces rubras, boca carmim borrada. Uma flor murcha caía de sua orelha esquerda. Retribuiu o sorriso.
No carro, de volta, chorou. Não sabe se por eles ou por ela.
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quinta-feira, 6 de outubro de 2011
Miniconto: A mulher de preto
Ainda atordoado com as palmas saí para o saguão. Pedi um táxi, não gosto de dirigir à noite. Ao afundar no banco de trás, exausto e feliz, me vem a imagem da mulher de preto sentada na primeira fila. Já a vi em algum lugar, o cansaço não me ajuda a lembrar. Talvez um rosto conhecido. Das três perguntas que me fizeram, a última foi dela, perguntou algo sobre amor.
Na cama, após alguns minutos deitado, revejo seus traços, agora sim, sei quem é. Mas como? Está longe! Seria mesmo ela? Como soube da palestra? Por que não veio até mim?
No dia seguinte os e-mails retornam, uma mensagem automática diz que ela está viajando e volta só daqui a um mês.
Sinto-me estranho.
PS: Conto postado em 2006, aqui.
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Belinha e o sargento
Belinha era solteira e de bela não tinha nada, não que fosse feia- era sem graça- pequenina, cabelos armados em excesso pelos cachos negros, um buço que teimava em não tirar.
A mãe um dia foi uma mulher bonita, ainda guarda traços no rosto que lembram a jovem que fora- um nariz reto e arrebitado, olhos muito negros e grandes, andar elegante, coisa que Belinha não tem.
Conheceu o Sargento no Coral da Igreja, ele nordestino e galante, tem uma postura firme que o torna atraente, másculo, faz sucesso com as mulheres. Assim que o viu Belinha passou a ter sonhos eróticos que a faziam corar. Ele percebeu que a perturbava, gostava disto, gostava de vê-la por perto, frescor e sexo à flor da pele.
Chamou-a para conhecer sua casa, foi com a mãe, eram inseparáveis. A casa simples, casa de homem sozinho, precisava de cuidados, logo as duas assumiram a arrumação, todos os sábados enquanto a filha cuidava dos quartos a mãe lavava a roupa e cozinhava. Belinha acabava rápido a lida doméstica e se deitava na rede com o Sargento, aproveitando que a mãe estava ocupada nas panelas, ele tomava a mão de Belinha, colocava no seu sexo rijo- ela estava ali a espera desde que chegou-e coordenava os movimentos, apertava aquela mão pequenina no pênis grande e duro, ela gemia de desejo, contorcia-se na rede.
Um dia o telefone tocou, ele rapidamente foi para fora de casa falar, Belinha o seguiu, pé ante pé, e ouviu que falava com uma mulher com intimidade. Descobriu ali que ele tinha mulher e filhos distantes. Ofendida Belinha conta aos prantos para a mãe, nunca mais quer vê-lo, diz soluçando. A mãe argumenta:
- É homem, macho, são todos iguais, vai acabar velha e sozinha como eu, ele precisa de uma mulher que cuide dele. Belinha chora todos os dias ao lembrar do sonho perdido da noite de núpcias quando perderia sua virgindade, mas não cede, tinha brio, estava ofendida. Sábado acordou mais tarde, na mesa um bilhete da mãe:
“Fui lavar as roupas do Sargento, tem comida no fogão”.
Conheceu o Sargento no Coral da Igreja, ele nordestino e galante, tem uma postura firme que o torna atraente, másculo, faz sucesso com as mulheres. Assim que o viu Belinha passou a ter sonhos eróticos que a faziam corar. Ele percebeu que a perturbava, gostava disto, gostava de vê-la por perto, frescor e sexo à flor da pele.
Chamou-a para conhecer sua casa, foi com a mãe, eram inseparáveis. A casa simples, casa de homem sozinho, precisava de cuidados, logo as duas assumiram a arrumação, todos os sábados enquanto a filha cuidava dos quartos a mãe lavava a roupa e cozinhava. Belinha acabava rápido a lida doméstica e se deitava na rede com o Sargento, aproveitando que a mãe estava ocupada nas panelas, ele tomava a mão de Belinha, colocava no seu sexo rijo- ela estava ali a espera desde que chegou-e coordenava os movimentos, apertava aquela mão pequenina no pênis grande e duro, ela gemia de desejo, contorcia-se na rede.
Um dia o telefone tocou, ele rapidamente foi para fora de casa falar, Belinha o seguiu, pé ante pé, e ouviu que falava com uma mulher com intimidade. Descobriu ali que ele tinha mulher e filhos distantes. Ofendida Belinha conta aos prantos para a mãe, nunca mais quer vê-lo, diz soluçando. A mãe argumenta:
- É homem, macho, são todos iguais, vai acabar velha e sozinha como eu, ele precisa de uma mulher que cuide dele. Belinha chora todos os dias ao lembrar do sonho perdido da noite de núpcias quando perderia sua virgindade, mas não cede, tinha brio, estava ofendida. Sábado acordou mais tarde, na mesa um bilhete da mãe:
“Fui lavar as roupas do Sargento, tem comida no fogão”.
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