quarta-feira, 20 de março de 2013
Desconserto- Desconcerto- Arquivo
Não contenho o sorriso, é inevitável. Não nego o prazer em vê-la assim perdida, não diria desesperada, apenas perdida. Ela tão cheia de certezas... Vejo aqueles olhos nos meus, esfomeados, querendo me decifrar, percebo seu desconserto. É meu o próximo passo, ela sabe. Espera. Eu a farei sorrir, não sobrevivo sem este sorriso.
Ela não sabe, apenas intui.
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
mini conto: Ele, no sonho
Ele, no sonho
Faz calor. As pernas ardem, desliza-as
pelo lençol
em busca de um frescor. Nada. O pé encontra o fim da cama. Deitada,
suspende o corpo sonado para cima. Ajeita o travesseiro. Deita de um lado, de
outro. Lembra-se dele ali, tão próximo, que poderia esticar-se e
beijá-lo. Sabor pêssego, dizia.
No sonho, ele volta. Estão deitados amando-se pelo olhar.
Despertou e veio o vazio da morte ainda
não
digerida.
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
Microconto sem título
Sente dor. Ele pergunta: “O que houve?”. “Nada, só cansaço”. Mente. O outro a feriu mais cedo. “Não foi nada, meu amor”.
quarta-feira, 18 de julho de 2012
Miniconto: Inês
Não sabe o porquê da inquietude. A mãe dizia: “Esta é lenta, não queria nem nascer. Anda Inês!”. Odeia o nome. “Pior se fosse Sebastiana”, retrucava a mãe. Nasceu no dia da mártir, tivesse nascido antes, teria o nome derivado do santo.
Quase menina, foi trabalhar no corte da cana. Lá conheceu Sebastião. Ironia, pensou. Ele era pouco mais velho e tinha olhos cor de amêndoas. Encabulou-se no primeiro encontro- ele a despiu com o olhar. Voltou para casa coberta de fuligem e atordoada. Mirou-se no espelho sobre a pia da cozinha. Tirou-o da parede, tentou ver o resto do corpo- “mais ossos que carne”, pensou. Os irmãos brincavam no terreiro. No banho tocou o sexo. Apressada esfregou-o até um arrepio. Sabia que agora era mulher- os olhos dele o disseram.
...
Anoitece. Observa a duna- lembra da areia morna, a perna úmida de sêmen, o corpo de Sebastião sobre o dela. Tenta enxergar mais longe. Não, ele não virá. Melhor entrar e fazer a janta para os netos.
terça-feira, 26 de junho de 2012
O encontro desmarcado
O encontro desmarcado
Quando ouviu a voz dele, quase inaudível, dizendo: “Acho que não irei hoje, pode ser?”. Respondeu: “Claro! Como quiser.”.
Perdeu o prumo, parou na esquina combinada. Sentia o sangue ferver. Viu o supermercado à frente, atravessou a rua sem prestar atenção. Comprou uma revista e foi para a lanchonete. Ali, comprou salgadinhos e refrigerante- jamais faria isso com ele, que diria: ”Tome um suco, minha querida, isso ai é veneno”.
A raiva passou.
Quando ouviu a voz dele, quase inaudível, dizendo: “Acho que não irei hoje, pode ser?”. Respondeu: “Claro! Como quiser.”.
Perdeu o prumo, parou na esquina combinada. Sentia o sangue ferver. Viu o supermercado à frente, atravessou a rua sem prestar atenção. Comprou uma revista e foi para a lanchonete. Ali, comprou salgadinhos e refrigerante- jamais faria isso com ele, que diria: ”Tome um suco, minha querida, isso ai é veneno”.
A raiva passou.
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