segunda-feira, 28 de março de 2011

Miniconto: Cravada no espelho





by Masha Meshki



Não precisava fechar olhos, nem silêncio para senti-lo perto. Adivinhava seus olhos sobre ela. O sexo pulsava.
Algo aconteceu, não o sente nas manhãs mais frias.
Desta vez, não intui mais do que desamor. Passa os dias isolada. O silêncio prolongado, as folhas gastas em poemas esquecidos.
Um cansaço sob a pele, o desamparo que emerge num luto indefinido.
Sim, poderia imaginá-lo, os olhos perdidos nela, que se distancia. Há tristeza e resignação nele.
Não o odeia por isso. Esteve tão perto, colada como tatuagem- cravada no espelho- jamais será apagada.
Poderia esperar que ele quebrasse o silêncio, mas homens fortes não quebram acordos íntimos.
A ela, resta sobreviver.

2 comentários:

Adriana disse...

Oi minha qrda,
Bonito e forte este conto. Sobre silêncios reveladores, que nos dizem muita coisa.
Bjo!

Diz disse...

Adriana, obrigada, qrda.
Este é diferente daqueles mais enxutos, é menos enxuto- eu agora começo a separar os mais curtos destes menos curtos. É trabalhoso.
Bjs Laura