sexta-feira, 15 de julho de 2011

Seis da tarde- miniconto

Seis da tarde


O ônibus estava lotado. Um menino cedeu o lugar para ela, a mãe disse: “Ande, levante, não vê que a mulher precisa sentar?”. O marido permaneceu em pé, recostado na janela. Tentou abrir a parte de cima, não conseguiu. Olhou para ela e fez um gesto de cumplicidade- não havia nada a fazer.
Ela ajeitou as sacolas no meio das pernas. Sentia o cheio forte da mulher ao lado, misto de suor com gordura- deve ser cozinheira, pensou.
O ônibus parava a cada quadra no início da viagem. O motorista gritava: “Mais para trás ai, faz favor!” . Amontoavam-se.  Ela se encolhia. Um homem com uma pasta encostou o corpo no ombro dela. Ela olhou para o marido, ele fez um gesto com a cabeça e ela se ofereceu para segurar a maleta. Pesava. “Deve ser representante de remédios, está arrumadinho”.
Uma hora mais tarde o ônibus esvaziava a cada ponto. O marido sentou-se ao seu lado. Ela, imediatamente, deitou a cabeça no ombro dele, sentiu seu cheiro e dormiu.

2 comentários:

Marco Severo disse...

Oi Elianne! Obrigado por ter ido ao meu blog. Vim ao seu, e tenho buscado ler seus escritos, vagarosamente (vida de professor que trabalha três expedientes não é fácil). Alguns dos seus contos são quase crônicas do cotidiano - e por isso mesmo, com a força e a simplicidade inerentes a esta realidade que nos absorve tanto. Muito bons.

Vi a pessoa no blog querendo fuzilar Luiz com as suas próprias verdades. Tenho, infelizmente, uma natureza um pouco beligerante que tenho buscado trabalhar. Antes, eu me metia, confesso que algumas vezes ainda o faço, mas, ai de mim, para quê? A vida é um sopro, Elianne, adianta nada gastar o latim com pessoas assim, me recolho, fujo, me afasto. Se ando evoluindo ou não por ter passado a agir assim, não sei, mas com certeza evita bastante eu ter de tomar remédio pra controle de pressão hehe

Obrigado pelas gentis palavras, e por compartilhá-las conosco, além das suas complementações pelo blog. Você é um afago.

Beijo,

Marco.

Diz disse...

Marco, oh! vc é q me fez um afago! e, saiba, ando precisandoooo :)
vida árida aqui.
Demorei p te responder,passei o dia c dor de cabeça.
Pois é, eu fiz um comentário lá no Luiz p q saibam q nos falamos em outro lugar pq fico parecendo mto mal educada lá.
Um forte abraço, Elianne-Laura